Hoje cedo recebi uma ligação com notícias de que mais uma pessoa saiu da rua. Ele próprio me telefonou ao saber que eu voltara recentemente ao trabalho de abordagem de rua em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro.
Jornalista, foi para a rua em razão da bebida. Isolado e sem acreditar que estava vivendo na rua, não tinha forças para sair.
Ter com quem conversar, ter quem acreditasse nele, foram oportunidades decisivas para que ele vislumbrasse um caminho de saída das ruas. Conseguiu sair, mas ao mesmo tempo que dividia essa felicidade, estava preocupado porque seu trabalho atual, informal, exige muito de seu braço. Ele estava sentindo muitas dores e procuraria um ortopedista ainda hoje. Teme que precise imobilizar o braço, e assim fique sem trabalho, e consequentemente sem dinheiro para o aluguel.
Pois é, a vida na rua não é fácil. Seria mais fácil, porém, se a sociedade facilitasse as coisas: atendendo com respeito, garantindo recursos.
Ninguém quer ver pessoas morando na rua, especialmente os que vivem nela. Apoiar vale muito mais do que recolher, expulsar, simplesmente varrer a sujeira para baixo do tapete.


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