Conheceu a rua ainda criança, quando ficou com medo de voltar para casa porque havia pego dinheiro do pai para comprar uma pipa.
Estudou, trabalhou, ficou sem trabalho, viajou em busca de um outro trabalho. Assim, de viagem em viagem, a procura de emprego, foi ficando cada vez mais longe da família e dos amigos. Não criou raízes. A cada dificuldade procurava um novo lugar para trabalhar.
Enquanto conversamos sobre como ele poderia sair da rua, ele concluiu com muita sabedoria: a gente tem que ter moral.
Quando se está sozinho na rua, mais do que casa e trabalho, o que é preciso é de moral. Ninguém consegue frequentar outros círculos de pessoas, se não tem moral, se é sempre olhado de cima para baixo, se ninguém acredita nele.
Criamos nossa identidade a partir da relação com o outro. Um engenheiro é um engenheiro não porque tem um diploma, mas porque alguém o contrata para fazer engenharia.
Uma pessoa só pode sair da rua quando quem não vive na rua o enxerga como enxerga a si próprio, ou seja, um ser humano, alguém que tem moral.


0 comentários:
Postar um comentário