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Segunda-feira, Abril 06, 2009

Humilhação em Ribeirão Pires

Humilhação a morador de rua 'foi caso isolado', reafirma secretário

Caio Bruno
Do Diário OnLine

O secretário de Segurança Pública de Ribeirão Pires, José Adão Alves, classificou como "um caso isolado" o episódio de maus-tratos praticados por guardas municipais contra um morador de rua. Ele afirmou que a Guarda Civil da cidade é uma "instituição honrada" e disse que os envolvidos "erraram e serão responsabilizados", mas não vão ser afastados das funções por não atrapalharem as investigações.

Alves participou à tarde de uma entrevista coletiva para dar explicações sobre o delito, ocorrido em outubro do ano passado, mas só divulgado agora. Ontem, após a exibição de uma gravação em que os guardas aparecem praticando humilhação e maus-tratos contra o andarilho — portador de deficiência mental —, o secretário já havia afirmado que o caso era isolado e informado que a prefeitura tomou conhecimento do fato em 25 de janeiro. O processo administrativo instaurado para apurar o episódio, porém, até agora não foi concluído.

Neste mesmo processo administrativo, ainda de acordo com Alves, os acusados prestaram depoimento e disseram estar "ressentidos". "Eles declararam que estavam brincando com um conhecido", disse o secretário.

Também nesta quarta-feira, o delegado Roberto Borges dos Santos, da Delegacia de Ribeirão Pires, justificou a demora no andamento do inquérito policial sobre o caso. Segundo ele, até agora ninguém foi ouvido nas investigações porque a vítima deveria ser a primeira a participar dos depoimentos, e ela até agora não foi encontrada. A mãe do morador de rua, ainda de acordo com o delegado, se comprometeu a levá-lo à delegacia nos próximos dias para que os trabalhos tenham prosseguimento.

Promotora - A promotora Thelma Thais Cavarzere classificou como "covardia" a ação dos guardas civis contra o morador de rua, conhecido em Ribeirão como Wallace, e garantiu que o Ministério Público vai trabalhar para que os responsáveis sejam punidos.

Segundo ela, "o que choca é a arrogância e a soberba dos executores, que têm a certeza da impunidade".

Thelma ainda lembrou que esta foi a segunda vez que presenciou o poder público municipal envolvido em ações contra moradores de rua. A primeira foi em novembro de 2007, quando nove pessoas que dormiam nas ruas centrais da cidade foram levadas em uma van para Campinas, interior de São Paulo.

"A mentalidade da prefeitura parece ser a da impunidade. É preciso celeridade nas investigações", disse ela.


Fonte: Diário do Grande ABC


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