Ele veio do Nordeste há algumas décadas, como tantos outros que ajudaram a construir Duque de Caxias, RJ. Veio sozinho, conseguiu trabalho e casa e então trouxe a mulher e os filhos. Depois de 20 anos de casamento ficou viúvo. Casou novamente e separou-se 9 anos depois. Criou bem seus filhos. Seus netos estão cursando a faculdade. Um deles já é médico.
Mas depois que separou-se da esposa – seus filhos todos casados – passou a beber e a morar sozinho. Passava o dia pelos bares e muitas vezes dormia na rua. Encontrei-o na porta de um hospital esperando a sopa que seria servida por religiosos um pouco mais tarde. Ainda tinha a sua casa, para onde ia vez por outra.
Seus filhos e netos insistiam para que morasse com eles, mas ele não admitia. Dizia que toda a sua família chegou onde estavam em razão dele e que não admitia ser cuidado por outros. Dizia que não precisava que ninguém fizesse nada por ele. Ele tinha sua casa e o dinheiro da aposentadoria. Visitava os filhos e netos quando queria e estava bem. Não precisava de mais nada.
Nunca mais o encontrei, mas aprendi que estar em situação de rua não é uma questão de dinheiro ou falta de casa. Também não acredito que neste caso seja uma simples questão de orgulho ferido. Afinal de contas, quantas feridas não são abertas entre aqueles que precisam das ruas para morar?
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
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1 comentários:
Seu Blog é de extrema importância para que pensemos melhor sobre as pessoas que se encontram em "situação de rua".
Parabéns pela iniciativa brilhante.
Passarei aqui sempre que puder!
Sucesso...
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