Terça-feira, Dezembro 13, 2011
Em Campo Grande: momento de sobriedade
Terça-feira, Novembro 29, 2011
Os moradores de rua em Londres
Por Cris Rodrigues, no blog Somos andando
Faz quatro meses e nove dias que eu estou em Londres. Pouco tempo, muito tempo? Depende. Tempo suficiente para perceber algumas mudanças significativas na vida da cidade. Fico com uma delas, a principal, na minha opinião. Nessas quase 18 semanas, cresceu a olhos vistos a população de moradores de rua da capital inglesa. Quando me dei conta da mudança, alguns dias atrás, fiquei na dúvida se se tratava de uma constatação de verdade ou se eu simplesmente não tinha reparado antes na quantidade de gente pedindo esmola e se encolhendo embaixo de cobertores mal ajambrados para tentar espantar o frio, que agora começa a chegar.
Procurei estatísticas, dados que me dessem a comprovação (ou não) dessa minha impressão. Não os encontrei (se alguém souber de alguma informação mais precisa, seria muito bem vinda), mas ainda assim posso dizer com razoável segurança que não se trata só de uma falta de atenção de uma brasileira recém chegada, lá por julho e agosto.
Tenho pelo menos duas razões para acreditar nisso. Ambas um tanto (mas não totalmente) subjetivas. A primeira é que sim, eu prestei atenção quando cheguei. Sempre observo esse tipo de coisa em viagens, e aqui, com mais tempo e olhar de quem passa a morar na cidade, não seria diferente. E lembro bem de reparar que a cidade era consideravelmente suja, que toda noite tinha gente caindo de bêbada pelos cantos do bairro boêmio do Soho (caindo mesmo, deitado no chão) e de que, apesar dos muitos problemas e de ser um dos países mais desiguais do assim chamado mundo desenvolvido, não se via quase ninguém pedindo dinheiro ou dormindo pelos cantos. Agora a cena é recorrente, em uma proporção enorme. O avanço, a meu ver, foi extremamente rápido.
O segundo motivo a me fazer crer que de fato a população de sem-teto aumentou foi a conversa com algumas pessoas daqui e a constatação óbvia de um período de crise e recessão combinadas com um política conservadora. Um inglês em particular foi bastante rápido na resposta, dizendo que eu provavelmente tinha razão na minha observação, porque isso é o que geralmente acontece quando o Partido Conservador está no poder. O olhar para o social diminui e a desigualdade aumenta. É quando mais gente perde o emprego e, lastimavelmente, mais gente perde sua casa. E aqui se nota muito a humilhação que essas pessoas sentem. A vergonha de estar pedindo, de não ter como manter uma casa. A vergonha é maior que o frio e a fome.
O índice de desemprego, esse eu tenho certeza, está aumentando, principalmente entre os jovens. A taxa de desemprego no Reino Unido, de 8,3%, é a mais alta desde 1996, e o número total de desempregados não era tão grande desde 1994. São 2,62 milhões fora do mercado de trabalho. A relação entre as duas coisas é inegável.
A Europa está em crise, não é novidade. Diz a The Economist dessa semana que 2012 vai ser um ano de grande recessão no Velho Mundo. Nada que até o mundo mineral não soubesse. O mais difícil é quando os números se transformam em vidas reais e em sofrimento diário. Quando deixam de ser números e se transformam em pessoas. Principalmente porque as que mais sofrem são aquelas que menos contribuíram para que as coisas chegassem a esse ponto, as mais vulneráveis.Como explicar para alguém que se tornou um morador de rua que ele se tornou um morador de rua porque a Europa precisa salvar os bancos e o euro?
Fonte: Correio do Brasil
Segunda-feira, Novembro 28, 2011
Centro Nacional de Defesa de Direitos Humanos contrata
Os candidatos devem apresentar os documentos entre os dias 5 e 9 de dezembro próximo. A carga horária semanal é de 40h e o salário é de R$ 1.500,00.
Veja todos os detalhes no Edital.
Sexta-feira, Outubro 21, 2011
À margem da imagem
O melhor filme sobre população em situação de rua que já vi. Agora disponível no youtube.
Assista no link a seguir:
http://www.youtube.com/watch?v=9CCTckFAnBg&feature=youtube_gdata_player
Projeto de lei aprovado em Comissão da Câmara garantirá oportunidade de emprego a quem vive na rua
A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, em sessão realizada nesta quarta-feira (21), o Projeto de Lei da População de Rua (PL 2.470/2007), que tem como objetivo oferecer oportunidades de emprego para esses cidadãos.
Apresentado pelo deputado federal Paulo Teixeira em 2007, a proposta prevê que as empresas vencedoras de licitações de obras e serviços públicos devem admitir pessoas em situação de rua como suas funcionárias sempre que o trabalho a ser realizado for compatível com o uso de mão-de-obra de qualificação básica. De acordo com o parlamentar, o projeto visa sobretudo à reinserção social da população de rua.
Desde que foi apresentado à Câmara, o PL da População de Rua também já foi aprovado, em julho deste ano, pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF). Com mais esta aprovação pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT), o Projeto seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e, caso também receba parecer favorável, seguirá para a aprovação no Senado.
No link abaixo você pode conferir a íntegra do Projeto inicial e o parecer da Comissão de Finanças e Tributação.
Fonte: http://pauloteixeira13.com.br/2011/10/pl-da-populacao-de-rua-e-aprovado-em-comissao-da-camara/
Em 2009 projeto semelhante já foi tentado no Rio de Janeiro, mas empresários apoiados pela Rede Globo fizeram campanha e conseguiram engavetar a proposta. Desta vez esperamos que essa importante iniciativa seja aprovada. Será bom para todo mundo. Para quem mora na rua, que terá oportunidades de emprego, para as empresas que terão trabalhadores que passarão por um rigoroso processo de seleção (pelos fóruns, conselhos e pela própria empresa) e para a sociedade que abrirá espaço para a inclusão de mais pessoas e assim contribuirá significativa e efetivamente para a solução de um grave problema social.
Sábado, Setembro 24, 2011
Despertar pra vida 5
Clique aqui para fazer o download desta edição.
Quinta-feira, Agosto 04, 2011
População em situação de rua recebe uma biblioteca ambulante em São Paulo
São Paulo –Robson César Correia de Mendonça, um ex-morador de rua, conseguiu realizar um dos seus sonhos: oferecer oportunidade de leitura a população em situação de rua do Centro de São Paulo. A “bicicloteca”, como sugere o nome, é uma bicicleta especialmente desenhada –com três rodas e uma caçamba –que transporta livros variados.
Robson sabe muito bem o que é ter vontade de ler, mas não poder ter acesso por causa da condição na qual se encontram os moradores de rua. Eles são impedidos de entrar em bibliotecas, porque, geralmente, carregam sacos plásticos com roupas e objetos pessoais. Foi para evitar esse tipo de situação que Robson sonhou com uma biblioteca que chegasse até o morador de rua.
A realização do sonho foi possível a partir de um encontro inusitado. Já longe da vida nas ruas, Robson presidia a ONG Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo. Para plantar uma árvore na frente da biblioteca Mário de Andrade –na região central da capital paulista –, ele se encontrou com Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde (IMV) e o secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo Jorge.
Ainda antes do plantio, Paiva ouviu o sonho de Robson e disse que iria possibilitar a construção desse projeto por meio do Instituto Mobilidade Verde, que tenta proporcionar soluções para mobilidade sustentável dentro da cidade. Ele entregou a bicicleta, uma espécie de triciclo com freios a disco na traseira e uma caçamba com capacidade para transportar 150 quilos de livros.
Promessa feita, faltava apenas definir a data de entrega do impulso para o projeto almejado. E melhor ocasião não haveria do que o Dia do Escritor, comemorado na última segunda-feira (25). O local: a própria biblioteca Mário de Andrade, onde o veículo ficou estacionado até ser colocado para rodar.
Segundo Robson, a ideia do projeto é proporcionar uma melhora da qualidade de vida do morador de rua a partir da leitura. “O livro é pouco para ele sair da rua, mais já é um inicio na tentativa de transformar sua vida como transformou a minha”, comenta.
Ele acrescenta que deveriam haver muitas dessas “biciclotecas” espalhadas pela cidade de São Paulo, pois só a população de rua é composta por cerca de 20 mil pessoas, segundo a ONG de Robson –segundo a prefeitura, em 2009 havia 13,7 mil moradores de rua.
Para Lincoln, essa “bicicloteca” é um projeto novo e diferente de outras reservas de livros espelhadas pelo mundo. “Essa bicicleta foi pensada em cada detalhe, não adaptada. Desde a sua geometria até a quantidade de livros possíveis de carregar, nós pensamos”, explica.
A pretensão de Lincoln é que outras ONGs comprometidas com o trabalho de levar cultura a comunidades possam entrar em contato com a IMV e solicitar sua “bicicloteca” (é necessário enviar email para contato@mobilidadeverde.org para avaliação).
O acervo será formado por doações espontâneas. Para contribuir, basta acessar o site www.bicicloteca.com.br ou entregar os livros na biblioteca Mario de Andrade (Rua da Consolação, nº 94, República –São Paulo/SP) e nos bicicletários do metrô.
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Igual, mas diferente
A "bicicloteca" do centro paulistano foi toda desenhada especialmente para a necessidade de Robson. Mas a ideia veio de outros projetos já em prática no Brasil. No Campo Limpo, zona sul de São Paulo, foi feita a primeira, idealizada por Robson Padial, o Binho (http://biciclotecas.blogspot.com/). No Rio de Janeiro, ligado à Central Única de Favelas (Cufa), o projeto é semelhante (http://bit.ly/bicicloteca_RJ-Cufa).
Fonte: http://m.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/07/populacao-em-situacao-de-rua-recebe-uma-biblioteca-ambulante



